Finanças Internacionais
Histórico
O sistema financeiro internacional deve ser reformado. Não podemos continuar
saltando de uma crise à outra, com fianças cada vez maiores que beneficiam apenas
os ricos às custas dos pobres.
O peso da dívida externa deve ser eliminado porque ele continua causando a
transferência injusta do patrimônio das comunidades empobrecidas para os bolsos
dos credores. Entre 1981 e 1987, os países menos desenvolvidos pagaram US$ 1.5
trilhão de dólares a mais para pagar a dívida do que o que receberam de empréstimos.
Em 1995, os países da América Latina enfrentaram o peso de uma dívida externa
total de mais de $600 bilhões.
Estes pagamentos da dívida e as condições de ajustamento estrutural impostas
pelos credores aumentam ainda mais as desigualdades entre as nações e dificultam
o desenvolvimento.
O aumento da especulação financeira às custas dos investimentos na produção
ameaça o bem-estar dos trabalhadores em todas as partes, tanto no Norte como
no Sul. Os regulamentos de investimentos do NAFTA, o MAI que está sendo proposto
e as propostas para a mudança dos artigos do acordo do Fundo Monetário Internacional
foram criados com a finalidade de permitir que os investidores apliquem ou retirem
seus capitais a qualquer momento, em qualquer quantidade e em qualquer país
membro. Tudo leva a crer que os negociadores do ALCA tentarão impor estas mesmas
medidas.
Nossa visão para a regulamentação das finanças internacionais segue uma lógica
diferente..
Princípios orientadores:
- O sistema financeiro internacional deve garantir a estabilidade e investir
capital em metas produtivas.
- Medidas nacionais e internacionais devem ser tomadas para minimizar as
consequências destrutivas da especulação e do movimento de capital suspeito.
- As instituições financeiras internacionais devem promover o desenvolvimento
viavel econômico e social em vez da austeridade e políticas de ajustamento
estrutural que acabam empobrecendo o povo e diminuem a qualidade dos serviços
de saúde, da educação e do ambiente.
- As dívidas externas contraídas por ditaduras militares repressivas são
ilegítimas e são dívidas "odiosas" que devem ser canceladas.
- A dívida restante de muitos países é tão alta que torna impossível o desenvolvimento
viável. As dívidas externas inviáveis que se acumularam devido aos altos juros,
devem ser renegociadas e parcialmente canceladas, ficando o restante a ser
pago num prazo mais longo e a juros inferiores.
Objetivos Específicos
- Novos meios de regulamentação de capital especulativo devem ser adotados
multilateralmente a fim de evitar a instabilidade e vulnerabilidade das economias
nacionais e do sistema financeiro internacional.
- Devido ao fato do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial terem
falhado no controle do sistema financeiro internacional previsto para apoiar
o desenvolvimento viável e produtivo, estas organizações devem ser totalmente
reestruturadas ou substituidas por novas instituições.
- As autoridades nacionais devem ter o direito de regulamentar a entrada
e saída de dinheiro "suspeito" em seus países. Existem várias propostas para
confrontar este problema a nível internacional que deveriam ser avaliadas
e discutidas. Ao mesmo tempo, existe um consenso a respeito da necessidade
de dar prioridade aos investimentos diretos e produtivos, de garantir que
estes investimentos sejam feitos a longo prazo, e de evitar a instabilidade
que possa causar a saída repentina destes investimentos. Estas medidas devem
incluir impostos sobre lucros especulativos, leis exigindo que os investimentos
de carteiras permaneçam no país por um prazo mínimo e incentivos para os investimentos
diretos e produtivos.
- Qualquer acordo para as Américas deve incluir provisões que permitam aos
governos aplicar os investimentos estrangeiros para fins produtivos e não
especulativos. O Acordo Norte-americano de Livre Comércio deve ser modificado
neste sentido. Qualquer outro acordo para as Américas ou sob a Organização
Trabalhista Mundial que procure integrar os piores aspectos do proposto Acordo
Multilateral de Investimentos, deve compartilhar também essa orientação.
- Um imposto sobre as transações monetárias estrangeiras, como foi proposto
pelo grande economista monetário e laureado do Prêmio Nobel, James Tobin,
deve ser cobrado a fim de diminuir a especulação monetária e permitir aos
governos nacionais controlar com mais eficiência suas políticas monetárias.
As rendas obtidas com o Imposto Tobin (estimadas em aproximadamente US302
bilhões de dólares por ano, com uma taxa de 0.25%) deveriam ser administradas
por uma agência das Nações Unidas independente e usadas no desenvolvimento
social e econômico.
- Todos os acordos entre países com níveis diferentes de desenvolvimento
devem incluir o financiamento de indenização a fim de permitir a concorrência
resultante da integração e para financiar os programas sociais. Este modelo
foi adotado pela União Européia, para que os países ricos pudessem dar ajuda
financeira ao desenvolvimento da Espanha, Portugal, Grécia e Irlanda a fim
de equiparar o padrão de vida destes países aos demais países da UE. No Hemisfério
Ocidental, a maneira mais efetiva de equiparar os padrões seria através da
redução substancial das dívidas dos países mais pobres. Sendo assim, o ALCA
deveria incluir a negociação da redução do capital da dívida, reduzir os juros
preferenciais e extender termos de pagamento.
- As condições rigorosas de ajustamento estrutural exigidas pelo Banco Mundial
e pelo FMI devem ser abandonadas devido ao fato de que elas não conseguiram
resolver a crise da dívida e causaram enormes privações aos setores mais pobres
da população. Por isso, os países devem adotar políticas de desenvolvimento
econômico semelhantes às propostas pela Comissão Econômica das Nações Unidas
para a África, dentro do esquema de alternativas africanas para o programa
de ajustamento estrutural destinado à recuperação socio-econômica e à transformação.
- Os Bancos Centrais e outras instituições nacionais de regulamentação devem
ser re-estruturados para eliminar qualquer subordinação às oligopolias bancárias
nacionais e internacionais. Os Bancos Centrais e as autoridades monetárias
devem estar livres dos interesses eleitorais a curto prazo de partidos ou
certos grupos. Assim sendo, eles devem ter autonomia do setor executivo do
governo. Contudo, estas instituições não devem, de forma alguma, ser órgãos
autônomos, isentos do controle social dos congressos democraticamente eleitos
e das legislaturas.
- Os Bancos Centrais e as autoridades monetárias nacionais devem tomar decisões
de âmbito internacional destinadas a reduzir os juros, estimular a demanda
de mercadorias e serviços e promover o investimento na produção e não a especulação.
A cooperação internacional também é necessária para combater a lavagem de
dinheiro.
- Nenhum acordo internacional deve diminuir a capacidade dos países de estabelecer
políticas monetárias e financeiras para o desenvolvimento e bem-estar da população.
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