Acesso aos mercados e os regulamentos de origem

Histórico

O objetivo da recente onda de acordos de livre comércio é a suspensão recíproca das barreiras comerciais entre os países, sem levar em consideração o nível de desenvolvimento de certos países ou seus interesses nacionais específicos. O princípio dominante destes acordos é o conceito de "tratamento nacional", o que significa que os governos devem ser obrigados a tratar os investidores estrangeiros, os investimentos e os produtos, da mesma maneira que tratam as empresas nacionais. Este capítulo, apesar de não criticar o comércio internacional, argumenta que a liberalização não deve ser um fim por sí mesma, pelo qual tudo mais deve ser sacrificado. Ao contrário, o acesso dos produtos estrangeiros e investimentos ao mercado deve ser avaliado e definido dentro do esquema dos planos de desenvolvimento nacional.

Princípios orientadores:

O complexo processo de reconciliação dos planos de desenvolvimento nacional com os regulamentos internacionais de comércio deveria levar em consideração o seguinte:

Objetivos específicos:

Tarifas

Padrões e Barreiras não-tarifárias

Procedimentos alfandegários

Regulamentos de origem

Os regulamentos de origem são os critérios pelos quais pode-se determinar a origem de certos produtos, afetando assim o tratamento que eles receberão durante o intercâmbio através de fronteiras, conforme os acordos de livre comércio. A tendência destes acordos é estabelecer regulamentos regionais de origem especificando a porcentagem dos componentes e dos produtos a serem incluidos, para que os produtos possam ser designados de acordo com suas origens. Apesar de não excluirmos os requisitos regionais, sub-regionais e adicionais de composição dos produtos, em nosso continente, acreditamos que os países devem poder estabelecer seus regulamentos nacionais de composição dos produtos sempre que os países acharem que esta designação é necessária para o desenvolvimento econômico nacional. Esta exigência, ou princípio, complementa outras propostas mencionadas no capítulo 9, a respeito da exigência feita às empresas estrangeiras de aplicarem uma porcentagem dos investimentos no país produtor.

Os países têm o direito de julgar que, sem regulamentos de componentes nacionais, a liberalização do comércio irá beneficiar apenas a integração entre empresas e causará a desintegração das conexões produtivas nacionais. Na falta de incentivos para adquirir investimentos de produção dentro do país produtor, as grandes empresas exportadoras acabam dependendo das importações, um fato que elimina o desenvolvimento econômico de outras atividades relacionadas apesar do aumento da produção. O modelo de neo-liberalismo assume que o setor de exportações é a locomotiva do desenvolvimento econômico. Na prática, esta "locomotiva" acaba se separando do resto do trem. Os regulamentos de origem que exigem apenas um conteúdo regional acabam transformando o esquema de produção de muitos países do hemisfério sul em simples "maquiladoras" ou zonas de produção para a exportação.

 

Cumprimento dos regulamentos e resolução de conflitos